
A hanseníase não é apenas um desafio da Medicina. O preconceito, a desinformação, as violações de direitos e o sofrimento provocado pelo estigma também exigem respostas do Direito, da Psicologia, do Jornalismo e das políticas públicas. Para ampliar esse debate, a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) reúne, em Aracaju (SE), profissionais com trajetórias de destaque nessas áreas em uma mesa-redonda que integra a programação do 20º Congresso Brasileiro de Hansenologia, considerado o principal evento sobre o tema nas Américas.
O encontro será realizado em 19 de novembro, das 14h às 16h, com o tema “A hanseníase entre o silêncio, o preconceito e a informação: por que a doença precisa voltar ao debate público”. A proposta é discutir como o estigma e a falta de informação interferem na procura pelo diagnóstico, na adesão ao tratamento, na qualidade de vida das pessoas atingidas e na maneira como a sociedade compreende a doença.
A mesa reúne cinco profissionais com experiências complementares: uma jurista com atuação perante instâncias nacionais e internacionais de direitos humanos; a presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar; um editor-chefe de televisão com experiência em reportagens para programas nacionais da TV Globo; um gestor estadual de hanseníase que também atua na docência médica e no movimento social; e o presidente da SBH, professor universitário e coordenador de um centro nacional de referência na doença.
Referências de diferentes áreas para ampliar o debate
A mediação será de Marco Andrey Cipriani Frade, presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e coordenador do Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária com Ênfase em Hanseníase da instituição. Sua atuação inclui a capacitação de profissionais de saúde de outros países, entre eles profissionais chineses convidados para treinamento no enfrentamento à doença.
Entre os convidados está Soraia Mendes, advogada, professora e jurista com trajetória acadêmica nas áreas do Direito e da Ciência Política. Pós-doutora em Teorias Jurídicas Contemporâneas, doutora em Direito, Estado e Constituição, ela tem atuação reconhecida no campo dos direitos humanos. Foi perita em processo penal no caso Márcia Barbosa vs. Brasil, perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, e integrou a coordenação nacional do Comitê para a América Latina e o Caribe de Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM), organização que atuou no caso Maria da Penha perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Sua participação contribui para ampliar a discussão sobre direitos, discriminação e proteção das pessoas atingidas pela hanseníase.
Cristiane Vaz de Moraes Pertusi, psicóloga, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP e presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF), trará a perspectiva das relações familiares e do sofrimento emocional associado ao estigma. Sua experiência em Psicologia Clínica e terapia familiar contribui para discutir o medo do julgamento, as dificuldades de diálogo dentro de casa e a importância do acolhimento às pessoas diagnosticadas e a seus familiares.
O olhar sobre a comunicação será representado por Alysson Maruyama, jornalista e editor-chefe da TV Morena, afiliada da TV Globo em Mato Grosso do Sul. Com quase duas décadas de atuação no telejornalismo, ele tem experiência em produção, reportagem, edição e coordenação jornalística, além de participação em reportagens exibidas em telejornais nacionais e em equipes de produção de documentários do Globo Repórter. Sua presença amplia a discussão sobre o papel da imprensa na construção da agenda pública, na circulação de informação de qualidade e na abordagem de temas marcados pelo preconceito.
Já André Luiz da Silva, gerente estadual de Hanseníase da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, professor da Faculdade de Medicina e voluntário do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), reúne experiência na gestão pública, na formação médica e na mobilização social. Sua participação permitirá abordar os desafios das políticas de enfrentamento à doença e a importância de aproximar os serviços de saúde das pessoas atingidas.
Uma questão de saúde pública que exige mobilização social
O Brasil concentra cerca de 93% dos casos novos de hanseníase registrados nas Américas e 13% dos casos mundiais, segundo os dados apresentados pela organização da mesa. Apesar da relevância epidemiológica, a doença ainda enfrenta barreiras relacionadas ao desconhecimento e ao estigma, que dificultam o reconhecimento dos sinais, a busca por atendimento e a inclusão social das pessoas atingidas.
Para Marco Andrey Cipriani Frade, o enfrentamento da hanseníase precisa envolver setores que vão além da assistência médica, como educação, direitos humanos, comunicação e saúde emocional.
“Decidimos adotar a estratégia de dialogar e provocar a sociedade para refletir sobre o tema. Precisamos somar vozes, aproximar diferentes áreas do conhecimento e envolver outros segmentos da sociedade para que a informação correta chegue às pessoas, o diagnóstico aconteça mais cedo e ninguém seja excluído por causa da doença”, explica.
O silêncio dentro das famílias também precisa ser enfrentado. “O medo do julgamento, a dificuldade de falar abertamente sobre a doença e a falta de acolhimento podem aprofundar o sofrimento de quem recebe o diagnóstico e de seus familiares”, analisa Cristiane Vaz de Moraes Pertusi. Segundo ela, é fundamental criar espaços de diálogo sobre temas que muitas vezes permanecem escondidos dentro de casa.
A iniciativa da SBH busca, assim, ampliar a compreensão de que a hanseníase não diz respeito apenas ao diagnóstico e ao tratamento: envolve também informação, dignidade, direitos, acolhimento e responsabilidade coletiva.
Serviço
Mesa-redonda: A hanseníase entre o silêncio, o preconceito e a informação: por que a doença precisa voltar ao debate público
Quando: 19 de novembro de 2026, das 14h às 16h
Local: Centro de Convenções AM Malls Sergipe – Avenida Presidente Tancredo Neves, 4444, bairro Inácio Barbosa, Aracaju (SE)
Evento: 20º Congresso Brasileiro de Hansenologia – de 16 a 20 de novembro de 2026
Informações: www.sbhansenologia.com.br
Imprensa: Texto & Cia Comunicação – Blanche Amancio | (16) 99993-7898
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