

A necessidade de investir em esquemas terapêuticos mais bactericidas para a hanseníase, capazes de reverter sequelas e reduzir custos bilionários para a Previdência Social, foi um dos principais pontos da participação do médico hansenologista e pesquisador Marco Andrey Cipriani Frade na 374ª Reunião do Conselho Nacional de Saúde, realizada nesta semana em Brasília (DF). Segundo dados apresentados por ele, entre 2000 e 2019, cerca de 18% dos pacientes tratados no Brasil recorreram ao INSS, gerando um impacto estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões aos cofres públicos.
Frade é presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão preto. Durante a exposição, ele destacou resultados de pesquisas conduzidas pelo Laboratório de Cicatrização em Hanseníase da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP e pelo Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária do Hospital das Clínicas da FMRP-USP. Os estudos apontam que novos esquemas terapêuticos, mais bactericidas do que o tratamento utilizado há cerca de quatro décadas, têm demonstrado recuperação significativa da sensibilidade neural.
O presidente da SBH alertou que a hanseníase permanece amplamente subdiagnosticada no país, em razão da mudança no perfil clínico da doença. Com cargas bacilares mais baixas, as manifestações iniciais tendem a ser neurológicas e antecedem, em até duas décadas, o aparecimento das lesões de pele. “Esperar a lesão cutânea clássica significa chegar tarde. A doença começa no nervo”, afirmou.
Frade ressaltou a necessidade de especialistas hansenologistas na rede, profissionais capacitados para realmente reconhecer a doença como sistêmica cujo diagnóstico e seguimento requerem conhecimentos múltiplos, não somente em pele e nervos – o diagnóstico envolve aspectos imunológicos de imagem, como ultrassom, eletrofisiologia para análise da eletroneuromiografia, aspectos reumatológicos, dentre outros.
“Aproximadamente metade dos casos diagnosticados atualmente apresenta exames laboratoriais negativos, o que reforça a importância do diagnóstico clínico e da capacitação dos profissionais de saúde. A formação médica tem dedicado pouco espaço à hanseníase, apesar de sua complexidade e persistência em áreas hiperendêmicas”, concluiu o presidente da SBH.
Entre as estratégias defendidas estão o fortalecimento da vigilância ativa, o uso de questionários padronizados de sintomas neurológicos e sinais cutâneos da hanseníase, exames de imagem como o ultrassom de nervos periféricos e a incorporação de novas tecnologias diagnósticas, incluindo ferramentas de biologia molecular e inteligência artificial. Experiências realizadas em vários municípios mostraram aumento significativo na detecção de casos após a adoção dessas medidas.
O médico reforçou que o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são fundamentais para interromper a transmissão da hanseníase, evitar sequelas físicas permanentes, reduzir o estigma social associado à doença e diminuir os custos para o sistema previdenciário e de saúde. “Somente com conhecimento, capacitação e inovação terapêutica será possível enfrentar a invisibilidade, o preconceito e o impacto social da hanseníase”, concluiu.
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