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SBH reúne-se com o ministro de Saúde

Publicação: 11/08/2026

Nesta terça-feira, 11/8, em Brasília, o presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), Marco Andrey Cipriani Frade, será recebido pelo ministro da Saúde para discutir os principais obstáculos que impedem o Brasil de reduzir de forma consistente a hanseníase, doença que tem tratamento, cura e diagnóstico disponíveis no SUS, mas que ainda provoca milhares de novos casos todos os anos e continua produzindo incapacidades físicas permanentes e exclusão social.

Entre os temas que serão apresentados estão:

Um dos pontos centrais da reunião será justamente a discussão sobre a necessidade de inovação terapêutica. Há mais de quatro décadas, a Poliquimioterapia (PQT) — combinação de antibióticos distribuída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e único tratamento para hanseníase utilizado pelo SUS — permanece praticamente inalterada. Especialistas alertam que, embora tenha revolucionado o tratamento da doença nos anos 1980, a não atualização dos antibióticos leva a recidivas, falhas terapêuticas e desenvolvimento de novas formulações. O Brasil, que reúne alguns dos principais centros mundiais de pesquisa em hanseníase, lidera as pesquisas para atualização e também para produção de novas drogas capazes de combater a doença, auxiliar no enfrentamento à endemia mundial e abastecer – com produção da indústria nacional – todos os países que ainda têm a hanseníase como problema de saúde pública.

“Nossa grande preocupação é a padronização do tratamento no SUS, justamente para a população que não tem condições de aquisição de drogas mais modernas. A padronização, que acaba de ser anunciada pelo Ministério da Saúde, não permite ao médico adequar o tratamento adequar o tratamento às diferentes manifestações da hanseníase, às condições do paciente, à evolução da doença, ao quadro de comorbidades etc.”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, Marco Andrey Cipriani Frade.

A audiência também deverá abordar a necessidade de ampliar os investimentos públicos em pesquisa sobre doenças negligenciadas. A hanseníase continua afetando mais gravemente as populações em situação de vulnerabilidade social.

Outro tema será o impacto do preconceito sobre o controle da doença. Mesmo sendo curável e deixando de ser transmissível após o início do tratamento, pacientes ainda escondem o diagnóstico, abandonam o tratamento por medo de discriminação e enfrentam dificuldades no trabalho, na escola e até dentro da própria família. O atraso no diagnóstico favorece o surgimento de sequelas permanentes e mantém a cadeia de transmissão.

A reunião ocorre em um momento considerado estratégico pela SBH para discutir políticas públicas capazes de acelerar a redução da hanseníase no Brasil e fortalecer o protagonismo científico brasileiro no desenvolvimento de novas soluções para uma das doenças negligenciadas mais importantes do mundo.

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